top of page

Um Grito Calado



Tenho derramado prantos incontroláveis

E hoje ainda mais lágrimas afáveis

Em letras miúdas e tão frágeis

Meus olhos derretendo irrefreáveis


E esta lonjura profunda sem nome

Sem razão nenhuma de assim ser

Porque eu nunca sei como escrever

As vontades que a mim consomem


E seria tão mais fácil deixá-las no mundo

E esquecê-las para sempre, assim

Mas meu cérebro tão preciso, enfim

Não faz por nada esquecer, nenhum segundo


E estes olhos que não vejo e ainda

Sedento, em tenro desespero, oh Deus

Que meu peito se explodirá na quietude

E eu não sei expressar os desejos meus


E os guardo para mim, e estes me afogam

Num pronto lícito inesperado pensamento

E as horas que em sanidade me apontam

As palavras…


E estas não vêm, e me abandonam agora

E eu esperando o raiar da aurora

Me consumo em silêncio

Gritando


E não sei pôr em palavras coisas simples

Um convite doce que todos fazem

É como tentar erguer o mundo em mim

Só para saber uma resposta


E meu quarto em paredes de quadros

De cordas e instrumentos

De um leito tão extenso

A chorar na minha solidão


Enquanto eu quero palavras simples

Que me fogem da ponta dos dedos

Que me secam a garganta em medos

Irreais


Seria tão mais simples só poder dizer

As coisas tão doces que não sei

Mas me perco inimaginável

Num silêncio abominável

14 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Rosto

Dias sem Poesia

Foram dias sem poemas para mim Sem pensar em versos e assim Foram dias a correr no tempo Sem pensar em coisas um momento E foram dias bons e serenos dias E não houve tristeza ou alegrias E assim foram

Obra

Hoje ponderei sobre o meu ser Minha delicadeza excessiva Minha saudade expressiva Quanta tristeza a saber E hoje eu pesei tantas palavras Dolorosas e vazias Incertezas tão perenes Na frieza destas sir

Comments


bottom of page