Contemplando a partida de si


Tenho contemplado um desejo de fim

Uma vontade de encerrar a mim

E deixar de ser, simplesmente

E não apenas morrer, naturalmente

E sinto como se eu quisesse desaparecer

Sem traço de mim mesmo, algum

Em um movimento perfeito, e nenhum

Rastro de mim, de sombra do meu ser

Sem individualidade, sem saudade

Sem vontade, sem mortalidade

Sem desespero, sem amor

Sem nenhum choro, sem pavor

E não serei mais eu, ou eu nenhum

A me desfazer num líquido

E liquidado eu estarei, eterno

Sem meu eu, sem pensar

E eu desejei tanto ser tão útil

Um outro alguém, que desejo fútil

Em mim mesmo encerrado para sempre

E ser como uma pedra, indiferente

Sem existir não seria nada

Sem dores ou alegrias

Sem tristezas tão vazias

Sem maltratar outra alma

E não ser mais coisa alguma

Sem peso, como uma pluma

Sem sentido, sem razão

Sem pecado ou perdão

E ser nada, deixar de ser humano

De ser alma ou animal

E voltar para o infinito

Um perfeito tão bonito

Sem disparidade, sem dualidade

Sem mentira, sem verdade

Sem coisa alguma, puro nada

Sem uma alma estraçalhada

E ser como o espaço

Vazio, sem ser, sem ver

Sem tudo, e sem nada

Voltar ao que já fui sem ser

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Foram dias sem poemas para mim Sem pensar em versos e assim Foram dias a correr no tempo Sem pensar em coisas um momento E foram dias bons e serenos dias E não houve tristeza ou alegrias E assim foram

Hoje ponderei sobre o meu ser Minha delicadeza excessiva Minha saudade expressiva Quanta tristeza a saber E hoje eu pesei tantas palavras Dolorosas e vazias Incertezas tão perenes Na frieza destas sir