Avesso


Tentei escrever sobre mim mesmo, os meus anos

Descrevendo meus versos pequenos, mundanos

As saudades de meus tempos queridos e amados

Meu sorriso num coração de amores quebrados


Encontrei-me ao visitar minhas memórias passadas

Minhas tristezas em momentos de saudade recontadas

Minha solidão atada num abismo ainda mais escuro

E desandei-me num desfiladeiro de amarguras tão duro


Um precipício sobre o qual me despontei, doce queda

Entre as minhas agruras, amarguras, alvuras me envereda

A solidão dos meus momentos solitários a precipitar

Como chuva leve, nas quedas da minha alma a pairar


Me vi num reflexo perfeito, um sorriso direito, sem defeito

Me desejei num paraíso para onde nunca fui lançado

Enquanto voei ao fundo sombrio do caminho de meu peito

Me vi às avessas, ao contrário do que sou, príncipe encantado


Via-me as perfeições da face, como a beleza de mil anjos

Via-me com a voz de melodias impecáveis, sem desarranjos

Via-me as forças do coração, o brilho dos olhos, os versos

Via-me nos braços de uma alegria da vida de carinhos abertos


Com a memória travada naquele instante único e raro

Perdi-me num desejo que me fora antes um tanto negado

Como desejei ter propósito antes de me atirar às trevas em fado

Meu coração acalmou-se num brilho dos olhos tão claro


Meu avesso era infante, perfeito mundo sem melancolias

Minha vida antes de desatar a cantar as minhas distopias

Meu mundo avesso perfeito, contrário de minhas lonjuras

Minha alegria cantada sem saber de minhas tristezas futuras


Meu coração encantado no futuro de meu passado

Meu coração às avessas, despido de seu amor magoado

Meu coração que me fora ao longo dos anos massacrado

Meu coração agora repousa sob o leito, pulsando calado

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© 2020 por Emmanuel Prado. 12744671606

R. Tabajaras, 1026. Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.

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