Amor de Homem



Eu sou homem, pequeno homem

De sentimentos que me consomem

Eu não aprendi as doçuras da vida

E nem a falar das coisas vividas


Eu tenho o rosto de homem assim

De feição juvenil, com alma senil

Tenho os olhos de vidros cem mil

Míopes meus olhos, até o meu fim


Sou homem que não sabe ser

Homem que não aprendeu a viver

Sou homem que não sabe cantar

Homem que não aprendeu a chorar


Me ensinaram que homem não chora

Que homem não tem doçura ou carinho

Que ser homem é vazio. Mas e agora?

Ser homem é preocupar-se só, sozinho


Ser homem é pensar só em si, disseram

Homem não pode ser nada doce ou gentil

Homem não vê beleza no céu de estrelas anil

Só existe amor de mãe, de mulher, disseram


Homem não ama, homem não põe para fora

O que sente ou que dói, porque isso é fraqueza

Ter no coração qualquer sentimento de nobreza

Esta bela coisa que somente na mulher aflora


Não me ensinaram a amar, porque sou homem

E estas dores agora um tanto me consomem

Como é ter amor de homem? Amar como sou

Se eu sou homem tão só, tão pequeno que sou


Não me ensinaram a chorar, porque sou homem

E o que fazer com as coisas que me doem?

Se não posso sentir nada por ser como sou

Como posso amar, chorar ou viver, se sou homem?


E dizem-me que ela por quem choro não merece

As dores e as lágrimas que o meu coração tece

Mas não posso fazer nada a não ser me ocultar

Então como é que posso, sendo homem, amar?

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© 2020 por Emmanuel Prado. 12744671606

R. Tabajaras, 1026. Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.

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