Não há nada a se fazer


Arte de Irina Laney


Às vezes creio que deva deixar morrer

Coisas das quais não há o que fazer

E se assim pudesse eternamente ser

Eu não choraria a ternura deste viver

Como os dias são longos agora

Somem no raiar doce da aurora

E as minhas poesias tão delicadas

Soavam num mundo, desnudadas

E meu coração já foi mais doce

Lembro-me, por pouco que fosse

Dias em que melodias me alegravam

Onde as memórias longe passavam

Os sonhos que tenho, poucos tão sós

A revelar no mundo estes meus nós

Como se eu estivesse amarrado e perdido

Num mundo que me havia esquecido

Ah, se eu esquecesse de tudo, assim

Num finito indizível sem fim

E tudo passarinhasse como um véu

A desenhar meu rosto choroso no céu

Quereria ser para sempre a lonjura

Esta que tanto me cansa e desalenta

Quando pranteio nas margens ternura

De meu coração em água turbulenta

Sou um rochedo sobre o mar despencado

E minhas rochas neste mar afogado

Águas que me batem quando não espero

E sobre este mundo choro, tenro desespero

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© 2020 por Emmanuel Prado. 12744671606

R. Tabajaras, 1026. Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.

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