Cansaço




Hoje abracei a noite tão só

Dancei, gastei minha garganta

Aos berros cantei, sorri

Mas cansei-me pois estou só


Estou só e não sei como estar só

Minha alma incompleta me incomoda

Não quero mais tanta desenvoltura

Nas tristezas límpidas de toda madrugada


Estou cansado de admirar o que quero

E resignar-me tão só, e assim ficar

Olhar ruivos cabelos e não saber falar

E dizer coisas tão doces do que espero


Estou cansado de ouvir músicas assim

Estou cansado de atirar-me à cama

Estou cansado deste mundo que me engana

Estou cansado deste peso sobre mim


Eu não quero mais me esconder nas ruas

Estou desamparado sobre meu peito

E eu só choro das loucuras do meu leito

Quando encontro as madrugas de alvuras


E a noite um tanto me dói o coração

E não sei mais como cantar outra canção

Meu Porto foi para sempre desprendido

E meu coração continua todo reprimido


Estou cansado destes ruivos cabelos que eu vi

Outros cachos de memórias que há muito esqueci

Estou cansado de saber das coisas que eu quero

E resignar-me na solidão do que eu espero


E o silêncio e omissão são mais factíveis

Do que dançar com chamas em meus olhos

E querer nomes e coisas que não saberei

Não sei rimar aquilo por que me encantei


Estou cansado deste sentimento em mim

Desta distância que me prende o coração

Como se eu jamais pudesse ter doçura

E falar com outra alma cheia de ternura


Estou exausto destas lágrimas em minha face

Estou cansado desta tristeza que só renasce

Eu quero que tudo isso morra em mim

E que se sepulte para sempre, eterno fim

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© 2020 por Emmanuel Prado. 12744671606

R. Tabajaras, 1026. Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.

A entrega dos livros pode variar de acordo com o endereço solicitado.